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Estado de Minas TESTE

Peugeot 2008 tem charme de sobra, mas fica devendo em desempenho e conteúdo

Reestilizado, SUV compacto da marca do leão tem design original, no entanto faltam outros atributos para convencer comprador a assinar o cheque


postado em 01/10/2019 10:48 / atualizado em 01/10/2019 11:22

(foto: Pedro Cerqueira/EM/D.A PRESS )
(foto: Pedro Cerqueira/EM/D.A PRESS )

A partir do lançamento do hatchback 208, a gama de compactos da Peugeot deixou de oferecer sedãs e peruas, sabiamente (do ponto de vista comercial) substituídos pelo SUV 2008. O modelo foi lançado por aqui em 2015, mas nunca se destacou no segmento dos SUVs compactos. Em maio, o 2008 ganhou uma reestilização leve. Ainda assim, a Peugeot afirma que o modelo é parte importante de sua nova estratégia no Brasil, que vive uma espécie de renascimento. Um dos desafios é reverter a má impressão a respeito do seu pós-venda, tendo até lançado uma campanha em que, caso o cliente fique insatisfeito com o serviço, não precisa pagar pela mão de obra (as peças, sim!).


Enquanto isso, na Europa, uma nova geração de fato foi lançada, maior e mais vistosa, porém, convivendo com a anterior. Voltando ao Brasil, será que este pequeno “tapa” é o bastante para aumentar o volume de vendas do SUV compacto da Peugeot? O visual ficou alinhado com a linguagem de design dos demais modelos da marca, ganhando nova grade e novos capô e para-choque. As laterais têm molduras nas caixas de roda, tendo mantido a boa área envidraçada e o ressalto a partir da coluna B. A versão testada, Griffe 1.6 AT, traz de série o teto panorâmico de vidro, que não se abre. O item é interessante para aumentar a luminosidade (em dias de sol ameno) e a integração com o entorno, mas a cortina é fonte de ruído quando sobre piso irregular, e o comando de abertura e fechamento não é do tipo um toque.

SUV compacto ganhou molduras nas caixas de roda(foto: Pedro Cerqueira/EM/D.A PRESS )
SUV compacto ganhou molduras nas caixas de roda (foto: Pedro Cerqueira/EM/D.A PRESS )

O interior é praticamente o mesmo, com o pequeno volante e a alavanca do freio de estacionamento com formato original, que além de bonito tem boa ergonomia. No banco traseiro, o espaço é bom para duas pessoas, mesmo assim, sem muita sobra para as pernas. Os vidros traseiros só abrem dois terços. Apesar do excesso de plástico, o acabamento agrada. Os bancos são revestidos em couro e tecido. Tapetes acarpetados e apliques em couro nos painéis de porta dão um toque mais sofisticado. Mesmo guardando o estepe, o porta-malas tem bom espaço, com maior aproveitamento em altura. Apesar de ter iluminação e bom acabamento, o assoalho do compartimento é feito em compensado fino, que logo se deforma. O encosto do banco traseiro pode ser rebatido para ampliar o espaço, mas não de forma fracionada. Para fechar por completo, a tampa do porta-malas precisa ser batida com força.

Lateral manteve ampla área envidraçada e ressalto a partir da coluna B(foto: Pedro Cerqueira/EM/D.A PRESS )
Lateral manteve ampla área envidraçada e ressalto a partir da coluna B (foto: Pedro Cerqueira/EM/D.A PRESS )

RODANDO O motor 1.6 aspirado não tem brilho, e às vezes até deixa a desejar. É que a gestão padrão do câmbio automático mantém as rotações baixas, claramente focada no baixo consumo de combustível, que um ponto positivo do modelo. O entrosamento entre motor e câmbio desaparece em trechos com relevo acidentado, quando realiza trocas equivocadas, como engatar uma terceira marcha no meio de uma subida íngreme. Mas existe um truque para atenuar a falta de força do motor e as mudanças infelizes de marcha, bastando selecionar o modo esportivo da transmissão, que tende a manter os “giros” mais altos, porém, sacrificando o baixo consumo de combustível. As suspensões têm boa relação entre conforto e estabilidade. Já a direção tem assistência elétrica, leve em manobras e firme em velocidade elevada.

Interior traz pequeno volante e alavanca do freio de estacionamento original(foto: Pedro Cerqueira/EM/D.A PRESS )
Interior traz pequeno volante e alavanca do freio de estacionamento original (foto: Pedro Cerqueira/EM/D.A PRESS )

Apesar do design “clean” do interior, o apoio de braço do console faz falta em um SUV. Também fazem falta vidros elétricos do tipo “um toque” em todas as janelas, presentes apenas na do motorista. Com a coluna A mais fina e vidros vigia, a visibilidade dianteira é boa. Os pequenos vidros da coluna C também melhoram um pouco a visibilidade traseira. Quanto ao conteúdo, mesmo na versão de topo, o 2008 não traz muitos destaques: talvez os seis airbags seja seu ponto alto, porém, sem controles de tração e estabilidade. O teto de vidro também é um item interessante, mas seria bem melhor se ele abrisse. O ar-condicionado digital com dupla zona de temperatura também não é comum entre os concorrentes.

Banco traseiro oferece conforto apenas para dois passageiros(foto: Pedro Cerqueira/EM/D.A PRESS )
Banco traseiro oferece conforto apenas para dois passageiros (foto: Pedro Cerqueira/EM/D.A PRESS )

CONCORRENTES Entre os concorrentes, o Jeep Renegade Sport 1.8 AT (R$ 89.990), versão de entrada do líder do segmento, tem o mesmo preço e leva a mais rodas de 17 polegadas e controles de tração e estabilidade. O Honda HR-V LX 1.8 CVT (R$ 94.400) traz pacote semelhante ao do Renegade, mas custa mais. O Nissan Kicks SV 1.6 CVT (R$ 92.790) se destaca por trazer chave presencial para destravar portas e dar partida no motor por um botão. Já o Volkswagen T-Cross 200 TSI AT (R$ 94.490) traz seis airbags de série. Mas o melhor do Peugeot 2008 ainda está por vir, já que a marca do leão prometeu que lançaria a versão equipada com motor 1.6 THP de 173cv de potência (com turbo e injeção direta) até o fim do ano.


Porta-malas tem bom espaço, com maior aproveitamento em altura(foto: Pedro Cerqueira/EM/D.A PRESS )
Porta-malas tem bom espaço, com maior aproveitamento em altura (foto: Pedro Cerqueira/EM/D.A PRESS )

CONECTIVIDADE
O Peugeot Connect Radio funciona a partir de uma tela tátil de sete polegadas flutuante. A central multimídia não traz navegação nativa (por GPS), porém, é possível usar aplicativos do smartphone (pelos sistemas Apple CarPlay e Android Auto), que trazem esta função. A desvantagem é depender do sinal do telefone, que nem sempre está disponível. As mídias disponíveis são rádio, Bluetooth (com streaming) e entrada USB. Além de telefonia, o sistema ainda traz informações como computador de bordo, climatização, câmera de ré e configurações do veículo.



FICHA TÉCNICA
(foto: Pedro Cerqueira/EM/D.A PRESS )
(foto: Pedro Cerqueira/EM/D.A PRESS )

MOTOR
Dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 1.587cm³ de cilindrada, 16 válvulas, flex, que desenvolve potências de 115cv (gasolina) e 118cv (etanol) a 5.750rpm, e torque de 16,1kgfm a 4.000rpm (g) e 4.750rpm (e)

TRANSMISSÃO
Tração dianteira, com câmbio automático de seis marchas

SUSPENSÃO/RODAS/PNEUS
Dianteira, independente, tipo pseudo McPherson, com molas helicoidais e barra estabilizadora; e traseira com travessa deformável, molas helicoidais e barra estabilizadora/de liga leve com 16 polegadas/205/60 R16

DIREÇÃO
Do tipo pinhão e cremalheira, com assistência elétrica variável

FREIOS
A discos ventilados na dianteira e discos sólidos na traseira

CAPACIDADES
Do tanque, 55 litros; e de carga útil (passageiros mais bagagem), 436 quilos



EQUIPAMENTOS
(foto: Pedro Cerqueira/EM/D.A PRESS )
(foto: Pedro Cerqueira/EM/D.A PRESS )

DE SÉRIE
Airbags frontais, laterais e de cortina; ar-condicionado digital bi-zone; roda de liga leve 16 polegadas; teto solar de vidro panorâmico; sensor de chuva; sensor de luminosidade; sensores de estacionamento traseiro; faróis de neblina; câmera de ré; alarme; luzes de rodagem diurna; ajuste elétrico dos retrovisores; vidros elétricos dianteiros e traseiros; limitador e regulador de velocidade; volante com comandos integrados; barras de teto; moldura nas caixas de roda.

OPCIONAIS

Pintura metálica (R$ 1.290).



QUANTO CUSTA
O Peugeot 2008 tem preço inicial de R$ 69.990, na versão de entrada Allure1.6 AT. O pacote intermediário Allure Pack 1.6 AT custa R$ 79.990. A versão testada é a topo de linha Griffe 1.6 AT, com preço sugerido de R$ 89.990. Com o opcional disponível, a unidade testada custa R$ 91.280.



Notas (0 a 10)

Desempenho 7
Espaço interno 8
Porta-malas 8
Suspensão/direção 8
Conforto/ergonomia 8
Itens de série/opcionais 7
Segurança 8
Estilo 8
Consumo 9
Tecnologia 8
Acabamento 8
Custo/benefício 8

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